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Clássicos literários brasileiros

sábado, 29 de setembro de 2012


            Muitas escolas desde cedo obrigam seus alunos a lerem clássicos da literatura brasileira, tais como, "a moreninha", "Iracema", "A mão e a luva", entre outros, tenho certeza de que são excelentes livros, no entanto, pelo fato da pressão, obrigação sobre tal leitura, a maioria dos jovens além de não os aproveitar, passam a odiá-los. 


Não posso dizer que sou uma exceção, durante dois anos estudei em uma escola onde a cada bimestre tínhamos que ler dois clássicos e entregar um resumo sobre eles. Este era o problema. Éramos obrigados a ler estes livros, e pior, num prazo determinado, ou seja, não importa se estávamos ou não com vontade de ler, tínhamos que fazer isso de qualquer forma, gostando ou não.


Nunca achei que ler fosse algo ruim, pelo contrário, sempre fui uma leitora compulsiva, aliás, até hoje sou assim. Porém, nunca aproveitei os livros que li na escola, parece que quando não fazemos algo por livre e espontânea vontade, passamos a não gostar daquilo.


Quando saí dessa escola, parei de ler os clássicos, e comecei a ler outros tipos de livros. Há algum tempo atrás, resolvi ler “A moreninha” de Joaquim Manuel Macedo. Confesso que minha impressão do livro mudou totalmente, li conforme o tempo deixava, sem obrigação de terminar logo, nem com a pressão de ter que fazer um resumo.


Enfim, acabei gostando do livro. Depois deste já li outros tantos, dentre eles “O alienista” e “Dom Casmurro”. Só o que ainda não consegui gostar, nem me acostumar foi com a linguagem, fico um pouco confusa com os diálogos onde jovens e em muitos casos até crianças, são chamados por Sr, Sra, dona. Às vezes me confundo com a idade em que o personagem se encontra.


Concluindo, sei que cada um tem seu gosto, portanto, como diz Tom Wolfe, não importa muito o quê à pessoa lê, desde que ela adquira a habilidade essencial de ler por prazer.



E vocês? Apreciam a literatura clássica brasileira?


Quando Nietzsche chorou

sábado, 15 de setembro de 2012


 “Uma história comovente e bem forjada, que oferece ao apreciador do romance de ideias o maior prazer que já terá experimentado em muito tempo.” Colin Walters, Washington Times

         O livro “Quando Nietzsche chorou” de Irvin D. Yalom é uma mistura de realidade e ficção que tem como personagem principal o maior filósofo da Europa: Nietzsche.

         Através da história são expostos alguns questionamentos e ideias de Nietzsche, principalmente sobre a vida, a liberdade e as crenças, que são explicados através dos personagens. 

        Confesso que desanimei no início, não achei tão envolvente, mas continuei lendo e uns capítulos depois o livro já começou a melhorar. Indico principalmente para quem gosta de questionamentos filosóficos e de livros com linguagem formal.

        Sinopse: Narra a história de um encontro fictício entre Nietzsche e o médico Josef Breuer. Nietzsche é ainda um filósofo desconhecido e com tendência suicida. Breuer passa por uma má fase após ter se envolvido emocionalmente com uma de suas pacientes, Bertha. Juntos, descobrem um tratamento através da conversa que logo vira uma verdadeira aula de psicanálise, onde os dois mergulham em si próprios num difícil processo de autoconhecimento. 

E vocês, o que acham deste livro?

O médico e o monstro

sexta-feira, 20 de julho de 2012


Curto, capaz de ser lido em poucos dias, "O médico e o monstro" de Robert Louis Stevenson é um clássico do gênero mistério. 

Quem é Edward Hide? Que relação ele tem com o Dr. Henry Jekyll? Relação essa capaz de fazer com que Jekyll deixe, através de um testamento, todo o seu patrimônio para Hide. O que tem Mr. Hide que faz com que todos sintam certa repugnância ao vê-lo?

Não sou fã da literatura clássica, porém, este se tornou uma exceção. Apresenta uma linguagem bem clara e atual. Indico principalmente para quem gosta de livros curtos e do gênero mistério.

E vocês, o que acham de "O médico e o monstro"?

A hora da estrela

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012


Nome: A hora da estrela

Autora: Clarice Lispector

Sinopse: Um clássico da literatura brasileira, a hora da estrela conta a história da nordestina Macabéa, uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a rádio relógio. Apaixonada-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.

Trechos extraídos do livro:


[...Quando era pequena tivera vontade intensa de criar um bicho. Mas a tia achava que ter um bicho era mais uma boca pra comer. Então a menina inventou que só lhe cabia criar pulgas, pois não merecia o amor de um cão...]


[...O céu é para baixo ou para cima? Pensava a nordestina. Deitada, não sabia. Às vezes antes de dormir sentia fome e ficava meio alucinada pensando em coxa de vaca. O remédio então era mastigar papel bem mastigadinho e engolir...]



                


Cenas brasileiras

domingo, 20 de novembro de 2011


A crônica é um gênero muito interessante, são cenas cotidianas, rápidos flagrantes da nossa realidade, o livro “Cenas brasileiras” de Raquel Queiroz é um livro de ótimas e engraçadas crônicas, são pequenos textos relatando as simples coisas e histórias da vida.


Síntese: Num clima de deliciosa conversa com o leitor, Rachel Queiroz desfia nas crônicas aqui reunidas histórias tocantes da gente brasileira. Crianças que descobrem o mundo, adultos que lutam pela sobrevivência sem abrir mão dos sonhos, casos curiosos que divertem e atitudes inesperadas que dão o que pensar. Rápidos flagrantes da nossa realidade na voz de uma das maiores escritoras do Brasil.


Trecho extraído do livro...

“... um bêbado chegou ao botequim-restaurante, meteu a colher de pau na farinheira e jogou na boca uma colherada de farinha. Mas no próprio momento em que levantava a colher, o português do balcão interferiu, gritou-lhe que “respeitasse a higiene”. Por causa do susto, ou da pontaria errada, o fato é que a farinha caiu no goto do homem, e quase matou sufocado. Foi preciso bem um copo de cachaça para desengasgar. E depois, como aparentemente o atacara uma vontade irresistível de comer farinha, o bêbado, para evitar novo engasgo, mandou encher outro copo de cachaça, jogou dentro um punhado de farinha, misturou e comeu o pirão de colher. Ao acabar, foi dormir na areia da praia e, segundo me contaram, só acordou horas mais tarde, quase afogado pela maré que subia...”


Obs.: Não o encontrei para baixar na internet, mas como é um clássico da literatura brasileira, é facilmente encontrado em bibliotecas.


O que acharam deste livro? Comentem...

Amor? Tô fora!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Tendo em vista que os quatro romances de Machado de Assis (Ressurreição, A mão e a luva, Helena e Iaiá Garcia) narram histórias de relacionamentos amorosos, Felipa, Cristóvão, Noca e Gegê, atrapalhados com o namoro, paixão, amor e afins, resolvem testar se a leitura dessas obras pode ajudá-los a resolver seus problemas afetivos.

Decepcionados com o amor, buscam entende-lo de diversas formas, e já tendo descoberto por experiências próprias que o amor não é como em contos de fadas, que sempre seremos correspondidos e sempre haverá um final feliz, resolvem tentar encontrar as respostas que tanto procuram nos livros Machadianos.

Apesar de já ter lido muitos clássicos, inclusive “A mão e a luva” e “Helena”, confesso que não tinha reparado em alguns aspectos destacados nesse livro, um deles, é que o amor vem sendo o mesmo (apesar de interpretado de diferentes formas), desde tempos imemoriais.

      O trecho a seguir encontra-se no início do livro e me chamou muita atenção, é de outro autor, mas é citado neste livro. Confere!

          “Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver [...] Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo [...] Ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano [...] O leitor [...] lê essas obras [...] para nelas encontrar um sentido que lhe permita compreender melhor o homem e o mundo, para nelas descobrir uma beleza que enriqueça sua existência; ao fazê-lo, ele compreende melhor a si mesmo.” (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo.)

O que acham deste livro? Comentem!

Menino de engenho

segunda-feira, 25 de julho de 2011



Acabo de ler ''Menino de engenho'', de José Lins do Rego. Conta a história de um menino de apenas quatro anos que ao perder a mãe, deverá ir para o engenho morar com parentes, onde adotará novos hábitos e enfrentará uma nova realidade.


O que mais me chamou a atenção neste livro foi o início onde o autor conseguiu descrever muito bem os sentimentos do garoto, confesso que foi também a parte em que mais me comovi apenas em ler e imaginar o que seria perder uma mãe, talvez seja esse o trecho em que podemos refletir em relação ao valor que as pessoas têm na nossa vida, aos momentos que deixamos de passar ao lado delas e as simples palavras que deixamos de falar a alguém.


Trecho extraído do livro:

“Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe morreu. Dormia no meu quarto, quando pela manhã me acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto de dormir de meu pai estava cheio de pessoas que eu não conhecia. Corri para lá, e vi minha mãe estendida no chão e meu pai caído em cima dela como um louco. A gente toda estava ali olhava para o quadro como se estivesse em um espetáculo. Vi então que minha mãe estava toda banhada em sangue, e corri para beijá-la, quando me pegaram pelo braço com força. Chorei, fiz o possível para livrar-me. Mas não me deixaram fazer nada. Um homem que chegou com uns soldados mandou então que todos saíssem que só podia ficar ali a polícia e mais ninguém.”


Capitães da areia

sábado, 2 de julho de 2011



Na escola em que estudava todo bimestre tínhamos que ler clássicos da literatura brasileira, confesso que nem todas as vezes conseguia adquirir o gosto pelo livro, afinal, a escola passava muitos livros para pouco tempo, no entanto, um dos que ficou na minha memória foi “capitães da areia” de Jorge Amado, quando o li, houve um encontro comigo mesma, parava a cada instante para pensar na minha vida confortável e nas injustiças do mundo.


O livro mostra a realidade de meninos abandonados pelos pais, órfãos ou incentivados pelos amigos a fugir de casa. Relata a realidade da época em relação ao reformatório, onde os jovens eram maltratados, e a visão de mundo desses garotos, que preferem ficar na rua ao invés de ir para o orfanato.


Trechos retirados da parte do livro em que Pedro Bala (Chefe do grupo, os capitães da areia) vai é levado ao reformatório:


 [... -- Agora os jornalistas já foram, moleque. Tu agora vai dizer o que sabe queira ou não queira. 

  O diretor do reformatório riu: 

  -- Ora, se diz... 

  O investigador perguntou: 

  -- Onde é que vocês dormem? 

  Pedro Bala o olhou com ódio: 

  -- Se tá pensando que eu vou dizer... 

  -- Se vai... 

  -- Pode esperar deitado. 

  Virou as costas. O investigador fez um sinal para os soldados. Pedro Bala sentiu duas chicotadas de uma vez. E o pé do investigador na sua cara. Rolou no chão, xingando. 

  -- Ainda não vai dizer?  -- perguntou o diretor do reformatório. -- Isso é só o começo. 

  -- Não.

  Agora davam-lhe de todos os lados.  Chibatadas, socos pontapés. O diretor do reformatório levantou-se, sentou-lhe o pé Pedro Bala caiu do outro lado da sala. 

Nem se levantou. Os soldados vibraram os chicotes...]


[... Ouviu o Bedel Ranulfo fechar o cadeado por fora. Fora atirado dentro da cafua. 

Era um pequeno quarto, por baixo da escada, onde não se podia estar em pé, porque não havia altura, nem tampouco estar  deitado ao comprido, porque não havia comprimento. Ou ficava sentado, ou deitado com as pernas voltadas para o corpo numa posição  mais que incômoda. Assim mesmo Pedro Bala se deitou.  Seu corpo dava uma volta e seu primeiro pensamento era que a cafua só servia para o homem-cobra que vira, certa vez, no circo. Era totalmente cerrado o quarto, a escuridão era completa. O ar entrava pelas frestas finas e raras dos degraus da escada. Pedro Bala, deitado como estava, não podia fazer o menor movimento. Por todos os lados as paredes o impediam. Seus membros doíam, ele tinha uma vontade doida de esticar as pernas. Seu rosto estava cheio de equimoses das pancadas na polícia...]


O que acharam do livro? Comentem!






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